03/02/2017

Lição 6 - Paciência: Evitando as Dissensões

INTRODUÇÃO
Nesta Aula estudaremos a respeito da Paciência ou Longanimidade, como Fruto do Espírito, e as Dissensões, como obra da carne. Poucas pessoas podem fazer suas as palavras do Salmista Davi: “Esperei com paciência no Senhor…” (Salmos 40:1). O mundo vive, hoje, numa ansiedade neurótica. As pessoas, a cada dia, estão mais ansiosas, o que contribui para o aumento das dissensões. Basta ler ou assistir os noticiários para vermos casos de brigas e confusões por coisas frívolas. Muitos desses casos acabam em tragédia e famílias destruídas. Mas o crente fiel precisa fazer a diferença: mostrar amor, tolerância, dar provas de paciência, pois “… o Fruto do Espírito é… Paciência…”, ou Longanimidade.

I. PACIÊNCIA: ATO DE RESISTÊNCIA À ANSIEDADE
A Paciência como Fruto do Espírito. O termo Paciência no grego é “makrothümia” (em que “makros” é “grande”, “longo” e “thumos” quer dizer “paixão”, “sentimento”) e significa Longanimidade – “Mas o fruto do Espírito é….Longanimidade…” (Gl.5:22). Longanimidade, aqui, significa ser equilibrado em vez de ter pavio curto, ser demorado em irritar-se, ter boa vontade para com quem fere, sofrer por um longo tempo. No latim, longânimo é ânimo longo.
Conforme as Escrituras Sagradas, ser longânimo é não retaliar, é não vingar a ofensa; é amar os inimigos, que são todos aqueles que nos fazem mal (Mt.5:43-45); é andar a segunda milha (Mt.5:41).
A Paciência e a Ansiedade. Você sabe o que significa a palavra Ansiedade na língua grega? Significa estrangulamento, apertar o pescoço, tirar o oxigênio, sufocar. É uma perturbação interior causada pela incerteza, pelo medo. Ela gera angústia e sofrimento, porém Deus não quer que seus filhos vivam com o coração perturbado, ansioso (João 14:1).
A Ansiedade é a maior doença do século. De acordo com a organização mundial de saúde, mais de 50% das doenças são psicossomáticas. A maioria das pessoas que passam pelos hospitais é vítima da ansiedade. Hoje, o remédio mais receitado é o Rivotril, um ansiolítico (ou, popularmente, um calmante); é prescrito por psiquiatras a pacientes em crise de ansiedade. Vivemos hoje o império dos medicamentos ansiolíticos.  As pessoas dormem um sono artificial. As pessoas estão buscando uma “paz química”.
A Ansiedade atinge homens e mulheres, jovens e velhos, doutores e analfabetos, religiosos e ateus; as pessoas andam com os nervos à flor da pele; são como um vulcão prestes a entrar em erupção; são como um barril de pólvora pronto para explodir. Este aspecto assustador por que passa o homem e a mulher é uma prova contundente da ausência da presença de Deus em suas vidas.
Muitos cristãos vivem sofrendo por antecipação (Mt.6:25). O Eterno, o Guardador da nossa vida, é tão preocupado conosco que realmente não precisamos estar ansiosos por nada. É uma honra para Ele assumir todas as nossas preocupações  (1Pd.5:7). Certamente, uma coisa não funciona sem a outra. Somente quando lançamos todas as nossas ansiedades sobre Jesus, Ele cuida de nós. Mas se arrastamos as nossas ansiedades junto conosco, então nós mesmos criamos muita aflição, muito sofrimento e muita inquietação. Além disso, toda preocupação não adianta nada (Mt.6:27,32b).
Nós devemos decidir quem deve carregar os fardos da nossa vida: Deus ou nós. É preferível que entreguemos a Deus.
Os sofrimentos ao longo de nossa jornada não são para nos destruir, mas servem para nos lapidar, para nos tornar mais pacientes e perseverantes (Hb.12:7-11). Precisamos aprender a esperar com paciência e tranquilidade em Deus, tendo a certeza de que todas as coisas cooperam para o nosso bem (Rm.8:28). Creia nisso!
Jó, exemplo de Paciência em meio à dor. Paciência é a capacidade de resistir as aflições, com resignação. Jó é um exemplo de crente paciente, de fé e persistente diante das tribulações. Foi pela capacidade de resistir às aflições, com resignação, que Jó se tornou um símbolo da paciência (Tg.5:11).
Jó era um homem piedoso, justo, próspero, bom pai, sacerdote da família, preocupado com a glória de Deus. O próprio Deus dá testemunho a seu respeito. Deus o constitui Seu advogado na terra. Satanás prova Jó com a permissão de Deus. Jó perdeu todos os seus bens, perdeu todos os seus filhos e perdeu também a sua saúde (Jó 1:22; 2:10). Jó perdeu o apoio da sua mulher. Jó perdeu o apoio dos seus amigos. Jó faz 16 vezes a pergunta: “por quê?”. Jó expressa sua queixa 34 vezes. Mas, no auge da sua dor, ele disse para Deus: “Ainda que Deus me mate, nele esperarei…” (Jó 13:15).

II. DISSENSÕES, RESULTADO DA IMPACIÊNCIA
Só lembrando, Dissensão significa sedição, rebelião, e também posicionar-se uns contra os outros. Trata-se daquele sentimento que só pensa no que é seu, e não também no que é dos outros.
A impaciência é um dos males que atormenta a humanidade, a causa de muitas doenças psíquicas, e até somáticas. Nos dias em que vivemos, em que a imediatidade e a pressa são a regra, falar em paciência soa estranho e se apresenta como um desafio. Ninguém quer esperar, mas em qualquer lugar aonde se vá, impõe-se a necessidade de esperar.
Deixe de lado toda Dissensão. Dissenção significa “desunião, divisão, sedição”. É a ação de dividir, de desunir, algo que é sinal da ausência do Espírito Santo na vida da pessoa (cf. Jd.19). Segundo o apóstolo Paulo, “Dissensão” é uma manifestação da Carne (Gl.5:20). Se em uma igreja há brigas e divisões, isso mostra que os crentes são carnais (cf. 1Co.3:3). Quem é guiado pelo Espírito Santo não incentiva e nem faz parte de discussões, contendas e nem de divisões.
Evitando o partidarismo. O partidarismo na igreja traz severos prejuízos à espiritualidade e ao desenvolvimento da obra de Deus. Contudo, o maior prejuízo está ligado aos relacionamentos entre os irmãos em Cristo. Paulo foi severo e contundente no combate a espírito divisionista que imperava na igreja de Corinto, que a despeito de sua pretensa espiritualidade, ficou na história como um alerta às igrejas cristãs de todo o mundo, registrado na carta que Paulo lhes escreveu. Ele comparou a igreja a um corpo (1Co.12.21-27).
A igreja precisa resgatar a sua identidade de comunidade unida, de um grupo de pessoas que irmanadas na cruz de Cristo, trabalham, se motivam mutuamente e se doam ao próximo. Jesus não morreu na cruz por uma igreja dividida, mas para formar um só corpo a fim de que os perdidos possam se voltar para o Pai (João 17:21).

III. PACIÊNCIA, PROVA DE ESPIRITUALIDADE E MATURIDADE CRISTÃ
Pacientes até a volta de Jesus. Devemos ser pacientes até Jesus voltar. Tiago consolou os irmãos que estavam sofrendo com a opressão dos ricos injustos, afirmando que a vinda de Jesus estava próxima (Tg.5:8); está às portas (Tg.5:9). Enquanto Jesus não volta não esperamos vida fácil neste mundo (João 16:33); Paulo nos lembra que é em meio a muita tribulação (At.14:22).
Se você está sofrendo e enfrentando alguma situação de injustiça, não se desespere, pois em breve Jesus voltará e dará fim a toda a dor, sofrimento e injustiça (Tg.5:7,8).
Quando a paciência é provada. O Senhor prova a paciência e a fé dos seus filhos. O alvo de Deus em nossa vida é a maturidade cristã (Tg.1:2-4,12; Rm.8:29; Cl.1:28). À medida que somos provados, precisamos pedir a Deus para nos mostrar o que Ele está fazendo. Deus nos prova para nos fazer desmamar de atitudes infantis.
Deus trabalhou 25 anos na vida de Abraão antes de lhe dar o filho da promessa. Deus trabalhou 13 anos na vida de José antes de colocá-lo no trono. Deus trabalhou oitenta anos na vida de Moisés antes de usá-lo como líder do seu povo. Jesus trabalhou três anos na vida dos apóstolos antes de enviá-los ao mundo.
As provações, portanto, visam a glória de Deus. Jesus disse que o cego de nascença nasceu cego para que nele se manifestasse a glória de Deus (João 9:1-7). De Lázaro, Jesus disse: “Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus…” (João 11:4). Depois de provado por Deus e restaurado por Ele, Jó disse: “Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te veem os meus olhos” (Jó 42:5).
Maturidade cristã. A Paciência é uma característica da maturidade cristã e do crescimento espiritual. Os crentes imaturos são sempre impacientes. A impaciência pode acarretar graves conseqüências. Como você descreveria alguém espiritualmente maduro? Leonard Wedel diz: “Uma pessoa madura não se leva a sério demais… mantém sua mente alerta… não entra em pânico sempre que uma situação adversa se levanta… É alguém notável demais para passar despercebida, mas nunca se sente importante demais para fazer coisas nem tão importantes assim. Nunca é orgulhosa demais para assumir tarefas humildes… nunca aceita o sucesso ou o fracasso como permanentes… é capaz de controlar seus impulsos… não tem medo de cometer erros… tem fé em si mesma, e essa fé torna-se mais forte ao ser fortalecida pela fé em Deus“.
E então? Considerando esse padrão, como você avalia sua maturidade espiritual? É bom ressaltar que maturidade não se alcança apenas lendo um livro, é preciso passar pelas provas Mt 5.11,12)
Maturidade é atitude prudente. As Escrituras Sagradas dizem que são as suas atitudes que determinam se você é maduro ou não. Deus quer que você cresça e tenha atitudes como as de Cristo (cf. Ef.4:13, Gl.4:19, Cl.1:28). A atitude faz a diferença, é o seu caráter; Caráter é o que você é no escuro.
As provações de nossa fé trabalham por nós, e não contra nós, visto que produzem perseverança. A perseverança visa nos levar à maturidade. Paulo diz em Romanos 5:3-5 que as tribulações são pedagógicas, levam-nos à maturidade.
Maturidade é sinônimo de estabilidade emocional. O crente maduro sabe administrar suas emoções de raiva, de ódio, de ira, de tristeza, ele sabe conviver com tudo isto, sabe sentir, porém, não permite isto dominar. (Ef.4:26); (Salmos 4:4); (2Ts.1:4); (Hb.12:7).

CONCLUSÃO

A Paciência é seguramente a virtude que torna o homem semelhante a Deus. Que venhamos crescer na graça e na sabedoria de Deus, buscando desenvolver esta virtude do Fruto do Espírito e deixando de lado as dissensões, pois em breve o Senhor Jesus voltará. Israel é o maior sinal de sua volta; é o relógio de Deus. Esteja atento!

Referências Bibliográficas 

As Obras da Carne e o Fruto do Espírito. Osiel Gomes. CPAD
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo do Expositor
Bíblia de Estudo Pentecostal
Comentário Bíblico Beacon. CPAD
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. R.N. Champlin. Hagnos
O poder e a mensagem do Evangelho. Paul Washer. Fiel
Um verdadeiro Arrependimento. Manoel Flausino. Inteligência Editorial
Revista Ensinador Cristão. CPAD
Verdadeiro Evangelho. Paul Washer. Fiel

Pr. Manoel Flausino
Diretor de Ensino e Superintendente de Escola Dominical, escritor, formado em Teologia, Pedagogia e especialista em Psicopedagogia e Gestão de Pessoas, dirigente da Congregação Fonte das Águas MDV.
Contatos para palestras, congressos, mensagens:
www.manoelflausino.com.br
(21) 99439-0392 (claro)

26/01/2017

Lição 5 - PAZ DE DEUS ANTÍDOTO CONTRA AS INIMIZADES

Introdução

Como posso sentir a paz de Deus inundando todo o meu ser quanto tenho ao meu redor com tantas coisas para realizar, com tanta pressão seja interna ou externa? As preocupações nos rodeiam, o medo vive, diariamente, ao nosso lado e a ansiedade toma conta de nós. Porém, como filhos de Deus e templo do Espírito Santo, temos um meio para driblarmos estas preocupações, este medo e esta ansiedade. Este meio é a perfeita paz de Deus que não espera por momentos perfeitos e certinhos para fazer morada em nosso coração.
O antídoto literalmente falando é uma substância que funciona como contraveneno, ou aquilo que evita, corrige ou contraria algo desagradável. Agora, espiritualmente falando, antídoto significa um remédio poderoso contra as inimizades e, esse remédio é termos o fruto da paz divina implantada em nossos corações. Nesse caso tendo o fruto da paz em nossos corações, não geraremos em nosso interior qualquer sentimento negativo que possa aflorar em determinadas circunstâncias emblemáticas que envolvam nosso relacionamento com outras pessoas.

1 - INQUIETAÇÕES E INIMIZADES
A palavra inimizade em grego é echthra, tendo essa a ver com a inimizade com Deus (Rm. 8.7), entre as pessoas (Lc. 23.12) e a hostilidade entre grupos (Ef. 2.14-16). Trata-se, portanto, de uma obra da carne (Gl. 5.20), de pessoas que não conseguem desfrutar da paz de Deus, e por isso, se inquietam com muitas coisas (Lc. 10.38-42). As pessoas estão demasiadamente preocupadas, a ansiedade pelas coisas deste mundo tornou-se uma prática comum. Por isso Jesus orientou seus discípulos não viverem inquietos, a aprenderem a confiar na provisão divina (Mt. 6.25). O desejo desenfreado pelas coisas deste mundo, que se manifesta por meio da cobiça, é uma demonstração de carnalidade (Tg. 4.2,3), que serve apenas para tirar a paz, e fomentar a segregação (Tg. 2.8,9). A igreja de Corinto estava tomada por esse sentimento de partidarismo, havia entre seus membros discórdias, principalmente em relação às lideranças eclesiásticas (I Co. 1.12,13). A inimizade é danosa para a vida da igreja, porque compromete sua unidade espiritual (Jo. 17.21). 

A PAZ QUE EXCEDE TODO ENTENDIMENTO
PAZ – DICIONÁRIO STRONG EM PORTUGUÊS - ειρηνη – eirene –
O antídoto contra as inimizades na igreja é a paz de Deus que excede todo entendimento (Fp. 4.7). Essa é uma paz diferente daquela apregoada pelo mundo, é a paz que somente Jesus pode dar, com a qual é possível encontrar tranquilidade, mesmo diante das situações mais adversas (Jo. 14.27). Essa paz, cujo termo grego é eirene, diz respeito a um estado de quietude, tranquilidade, harmonia e confiança, produzida no crente pelo Espírito Santo. Aqueles que são súditos do Reino de Deus desfrutam dessa plena paz (Rm. 14.17). Essa é uma paz que também deve ser buscada, se possível com todas as pessoas (II Co. 13.11; Hb. 12.14). Por se tratar de um fruto do Espírito, é algo que deve ser desenvolvido (Tg. 3.18). A paz, enquanto virtude do fruto do Espírito, tem início na conversão, quando passamos a desfrutar da paz com Deus (Rm. 5.1,2). Isso tem a ver com o ministério da reconciliação, que aconteceu por meio de Cristo que nos levou a Deus (II Co. 5.18-20). 

2 - PAZ QUE GERA CONFIANÇA
O profeta Isaias afirma que Deus conservará “em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Is. 26.3). A fim de cultivar a verdadeira paz, precisamos investir nos valores espirituais, e aprender a confiar cada vez mais em Deus. Desfrutamos dessa paz na medida em que depositamos no Senhor nossa confiança, e estamos cientes que Ele suprirá nossas necessidades (Fp. 4.19). Muitos crentes alimentam sentimentos facciosos porque perderam Jesus de vista, e por valorizarem mais as coisas terrenas do que as celestiais (Hb. 12.2). Somente os que confiam no Senhor serão como os montes de Sião que não se abalam, mas permanecem para sempre (Sl. 125.1). 

CONCLUSÃO

Dentre as obras da carne, as inimizades se apresentam como resultado das inquietações da alma humana. Há muitas pessoas que querem se sobrepor umas sobre as outras, na maioria dos casos por causa da ostentação e da ganância. O antídoto contra essa atitude é investir na paz de Deus, relacionada à paz com Deus, que excede todo entendimento. Aqueles que desfrutam dessa paz, aprenderam a experimentar as riquezas de Cristo, por isso não se atribulam diante das águas turbulentas.

Referências Bibliográficas 

As Obras da Carne e o Fruto do Espírito. Osiel Gomes. CPAD
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo do Expositor
Bíblia de Estudo Pentecostal
Comentário Bíblico Beacon. CPAD
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. R.N. Champlin. Hagnos
O poder e a mensagem do Evangelho. Paul Washer. Fiel
Um verdadeiro Arrependimento. Manoel Flausino. Inteligência Editorial
Revista Ensinador Cristão. CPAD
Verdadeiro Evangelho. Paul Washer. Fiel

Pr. Manoel Flausino
Diretor de Ensino e Superintendente de Escola Dominical, escritor, formado em Teologia, Pedagogia e especialista em Psicopedagogia e Gestão de Pessoas, dirigente da Congregação Fonte das Águas MDV.
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19/01/2017

Lição 4 - Alegria,Fruto do Espírito; Inveja, Hábito da Velha Natureza


Introdução:

Quando o apóstolo Paulo escreveu sua Epístola aos Gálatas, ele falou sobre os perigos das obras da carne e a importância do fruto do Espírito como uma característica natural do caráter cristão.

Entre as práticas da carne, podemos encontrar a inveja, um terrível hábito da natureza humana corrompida pelo pecado. Por outro lado, a alegria é destacada pelo apóstolo como fazendo parte do fruto do Espírito.

Ao estudarmos a  Epístola de Paulo aos Filipenses nos deparamos com uma realidade que parece incoerente à compreensão humana. Paulo estava preso na ocasião em que escreveu a carta enviando-a através de Epafrodito (um companheiro de ministério muito amado pelo povo de Filipos). Como pode um homem preso, escrever uma carta tão alegre? Pode um homem se alegrar em meio ao perigo? Pode um homem louvar ao Senhor numa situação triste ou numa prisão?

Nós encontramos nos 4 capítulos da Epístola Aos Filipenses uma quantidade significativa das palavras “alegria”, “regozijo”, “gozo”, “regozijai” e “alegrai”, além de muitas citações de demonstração de felicidade.

Entre as práticas da carne, podemos encontrar a inveja, um terrível hábito da natureza humana corrompida pelo pecado. Por outro lado, a alegria é destacada pelo apóstolo como fazendo parte do fruto do Espírito.



I- Alegria, Felicidade Interior

Paulo menciona a alegria como uma das virtudes do fruto do Espírito. Entretanto, essa alegria é bem diferente da alegria comum, superficial e passageira experimentada pelo mundo. Essa alegria é incomparável, ela é “indizível e gloriosa” como escreveu o apóstolo Pedro (1Pe 1:18).

A alegria do mundo é incapaz de satisfazer as necessidades da alma, ela serve apenas como um disfarce temporário que no final sempre fracassa. Além disto, a alegria terrena busca prazer naquilo que é reprovável perante a Palavra de Deus.

Por outro lado, a alegria como virtude de uma vida controlada pelo Espírito provém do prazer em obedecer a Palavra de Deus (cf. Sl 119:16,24,35).

O mandamento da alegria está espalhado nas Escrituras Sagradas: nos livros da lei (Dt 16.11), nos Salmos (Sl 32.11), nos profetas (Zc 9.9), nos Evangelhos (Lc 10.20), nas Epístolas (Fp 4.4) e no Apocalipse (Ap 19.7). A alegria é também fruto do Espírito (Gl 5.22), é consequência do perdão e da salvação (Lc 10.20), é promessa a ser totalmente contemplada no futuro (Hb 11.39-40), é combustível e celebração da missão (Sl 126.6; Lc 15.7).

II- Inveja, o Desgosto Pela Felicidade Alheia

A inveja certamente é um dos vícios mais destrutivos da alma. O termo grego utilizado por Paulo para se referir à inveja como um dos furtos da carne se enfatiza o desagrado que nasce em alguém ao ver o que o outro possui. Além disso, a própria etimologia grega dessa palavra transmite a ideia de que tal sentimento leva a pessoa a consumir-se.
A inveja sempre esteve presente na humanidade desde a Queda do homem. O primeiro homem nascido, Caim, demonstrou uma espécie de ira invejosa quando assassinou seu irmão Abel (Gn 4).

Também foi a inveja que serviu de combustível para que os irmãos de José o lançassem no poço. A inveja também pôde ser vista na rebelião de Coré, Datã e Abirão contra Moisés e Arão (Nm 16-17).

Mais tarde, Saul também perseguiu Davi por causa da inveja. Na Parábola do Filho Pródigo, a inveja também estava expressa nas duras palavras ditas pelo filho mais velho a seu pai. Em Mateus 27:18, vemos que a inveja estava presente como motivação para as acusações contra Jesus.

rei Salomão definiu a inveja como sendo a “podridão dos ossos” (Pv 14:30). Escrevendo a Tito, Paulo destacou a inveja como sendo um comportamento típico de uma vida não regenerada (Tt 3:3).

III- A Alegria do Espírito é Para Ser Vivida

A alegria do fruto do Espírito não significa ausência de problemas e dificuldades. Na verdade, aos olhos humanos essa alegria pode parecer até um paradoxo, como o apóstolo Paulo ensinou na expressão “entristecidos, mas sempre alegres” (2Co 6:10), ou seja, os verdadeiros seguidores de Cristo estão sempre alegres mesmo nas piores circunstâncias, pois nos momentos mais dolorosos eles podem desfrutar do consolo do Espírito Santo.

A alegria que o Espírito Santo promove em nós deve ser vivida, aproveitada e refletida em nossas ações, com a certeza de que a alegria que hoje sentimos se revelará ainda maior quando encontrarmos o nosso Senhor no grande dia de sua vinda.

Conclusão:

Como cristãos verdadeiros, pessoas que foram regeneradas pelo Espírito Santo, devemos mortificar nossa carne através de uma vida guiada pelo Espírito. Assim, não devemos nos conformar ou aceitar os hábitos pecaminosos da nossa velha natureza decaída, como a inveja, por exemplo, mas devemos viver a cada dia da maneira que agrada a Deus, guardando a sua Palavra e nos deleitando na comunhão que temos em Cristo Jesus.


Referências Bibliográficas 

As Obras da Carne e o Fruto do Espírito. Osiel Gomes. CPAD
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo do Expositor
Bíblia de Estudo Pentecostal
Comentário Bíblico Beacon. CPAD
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. R.N. Champlin. Hagnos
O poder e a mensagem do Evangelho. Paul Washer. Fiel
Um verdadeiro Arrependimento. Manoel Flausino. Inteligência Editorial
Revista Ensinador Cristão. CPAD
Verdadeiro Evangelho. Paul Washer. Fiel

Pr. Manoel Flausino
Diretor de Ensino e Superintendente de Escola Dominical, escritor, formado em Teologia, Pedagogia e especialista em Psicopedagogia e Gestão de Pessoas, dirigente da Congregação Fonte das Águas MDV.
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