04/05/2016

Lição 6 - A Lei, a Carne e o Espírito


INTRODUÇÃO
          Ser um cristão é estar em constante guerra, é ser um guerreiro. Nesse sentido, o bom soldado de Cristo não deve esperar tranquilidade neste mundo, pois aqui é um campo de batalha!
      Alguns entendem que a vida cristã é um parque de diversões, contudo, pelo contrário, vivemos num campo minado, uma arena de lutas.
         Não podemos ignorar que temos 3 inimigos a serem vencidos: a nossa carne, o mundo distante de Deus e o diabo.



I – Uma luta Constante

          A luta entre o "velho eu" e o "novo eu" parece nunca ter fim, aliás, enquanto estivermos nessa terra, todos os dias teremos que decidir quem irá prevalecer. Nessa disputa, a melhor coisa que podemos fazer é nos perguntar: "Em meu lugar, o que faria Jesus?". É obvio que agir como o Senhor em certas situações é muito difícil, mas a Palavra nos exorta que "aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou" (1 João 2:6).
          O servo do Senhor precisa resistir às tentações, fazer o bem, ter autocontrole, recusar o que a carne pede e obedecer ao Espírito. "Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo (Romanos 7:18,19).
          O Apóstolo Paulo sabia a origem da luta: "Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim" (Romanos 7:20). Paulo disse que a sua tendência em pecar, vinha do seu corpo contaminado pelo pecado, que foi gerado desde Adão e Eva.
          Para vencermos esta luta devemos alimentar o nosso homem interior com as coisas de Deus, pois só assim o nosso espírito terá vantagem sobre a carne (1 Pedro 5:8).

“Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos(Gálatas 5:24).

II - A natureza carnal e viver na carne

          O substantivo (σαρκς) (carne) é mencionado cinco vezes em Rm: 8:5-8, sendo: duas vezes no versículo cinco, uma vez no seis, uma vez no sete, e uma vez no oito, já o substantivo  (πνευμα) (espírito)três vezes no mesmo texto, sendo: uma vez no versículo cinco e uma vez no seis, o primeiro termo, a palavra carne, (σαρκς) refere se à vida cristã contaminada por fatores da vida terrena, enquanto que o segundo termo, a palavra (πνευμα) refere se ao sentido espiritual da vida cristã; aquele transcende, que não se pode contaminar por fator alheios à vontade humana.
          O autor usa o verbo viver na terceira pessoa do indicativo do presente no plural, “vivem”, que denota a situação presente que as pessoas se encontram, mencionado duas vezes neste versículo, onde não mudança de tempo verbal bem como de sujeito e destinatário.
       O verbo tem uma conotação direta com os substantivos: “carne” e “espírito”, comum na estrutura; das duas frases: | “vivem” segundo a carne; | “vivem” segundo o espírito; disposto no texto narrativo, classificado como gênero menor, pela homologia que á a repetição das mesmas palavras e conceitos no mesmo texto.

      Definição de Natureza

          Natureza é a essência ou condição própria de um ser ou de uma coisa.
         Cada criatura que Deus fez possui uma natureza própria. Essa natureza manifesta se por meio do corpo, através daquilo que ela faz naturalmente, sem esforço nem aprendizado, apenas baseado nos instintos naturais da sua espécie: reprodução, defesa, sobrevivência, instinto materno, etc.


III - Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus. – Rm: 8:8

   a)      A natureza pecaminosa da carne concentra-se nas coisas da carne Rm: 8:5.
   b)   É levado para morte Rm: 8:6.
   c)   É inimigo de Deus Rm: 8:7.
   d)   Não está sujeito à lei de Deus Rm: 8:7.
   e)   A pessoa que anda neste caminho do pecado não pode agradar a Deus Rm: 8:8.
   f)   Significa que a pessoa não tem o Espírito de Cristo e não lhe pertence.


IV - A natureza renovada pelo Espírito.

   a)  A pessoa concentra-se nas coisas do Espírito Rm: 8:5.
   b)  É o caminho de vida e paz Rm: 8:6.
   c)  Significa que para pessoa que tem o Espírito de Cristo não há condenação.




V -
 Comparativo entre a Carne verso Espírito:

Carne
Espírito
Os que inclinam para a carne cogitam das coisas carnais (5)
Os que inclinam para o Espírito cogitam das coisas espirituais (5)
O pendor (inclinação ou tendência) da carne leva à morte (6)
O pendor do Espírito leva à vida e à paz (6)
Inimizade contra Deus (7)
Não obedece a lei do Espírito (7)
Não sujeito à lei de Deus (7)
Não tem a mente controlada pelo Espírito (7)
Sujeita à natureza humana (8)
Não pode agradar a Deus (8)
Não pertence a Cristo (8)
O Espírito de Deus ressuscitará o corpo daqueles em que ele não habita (8)





CONCLUSÃO.

          A lei da vida do Espírito é superior a lei da carne e da morte, e que as pessoas que vivem de acordo com a sua natureza humana não podem agradar a Deus.
          Em Cristo, Deus fez o que a lei não podia fazer. Jesus veio na carne para fazer o que a lei não fez por causa da fraqueza da carne. Deus, através de Jesus, condenou o pecado.
          A lei do Espírito era oposta ao pecado “condenou o pecado”, e venceu o pecado. As pessoas sujeitas à lei da carne, ainda andam na carne e estão sujeitas à morte.

          Em Jesus, Deus condenou e venceu o pecado. Aqueles que participam dessa vitória andam segundo o Espírito, não segundo a carne.


Bibliografia
Comentário Bíblico Beacon. CPAD
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. R.N. Champlin. Hagnos
Graça. Max Lucado. Thomas Nelson Brasil
Justiça e Graça. Natalino das Neves. CPAD
Maravilhosa Graça. José Gonçalves. CPAD
O poder e a mensagem do Evangelho. Paul Washer. Fiel
Um Verdadeiro Arrependimento. Manoel Flausino. Inteligência Editorial
Verdadeiro Evangelho. Paul Washer. Fiel


Pr. Manoel Flausino
Diretor de Ensino e Superintendente de Escola Dominica, escritor, formado em Teologia, Pedagogia e especialista em Psicopedagogia e Gestão de Pessoas, dirigente da Congregação Fonte das Águas MDV.

Contatos para palestras, congressos, mensagens:
(21) 99439-0392 (claro)

26/04/2016

Lição 5 - A Maravilhosa Graça


Introdução

      Na lição de hoje estudaremos sobre a Graça de Deus. O homem estava perdido e Deus soberanamente decidiu, por sua graça, manifestar a salvação através de Cristo Jesus.
          O termo graça, vem do latim gratus (agradável, amável) e do latim charis, que em sua tradução envolve muitos sentidos: favor, cuidado ou ajuda graciosa, boa vontade. A graça envolve termo como perdão e salvação, neste sentido significando favor imerecido.
       Champlin nos ensina que: “o principio da graça divina, em contraste com a lei e os méritos humanos, através de cujo princípio a salvação é oferecida aos homens. A misericórdia e a graça divinas são dadas aos homens sobre o fundamento da missão de Cristo, recebidas pela fé (Ef 2.5,8; Cl 1.6)

I - A Graça como meio da Salvação
O livre favor divino é recebido, mas nunca merecido, mediante a fé.
A Graça opera por causa do amor de Deus através do mesmo. Ela é divina e não tem sua origem no homem.
Através da Graça Deus redime o homem de modo totalmente à parte de seus méritos pessoais e não em cooperação com os mesmos, porquanto a salvação vem exclusivamente pela fé, independente de obras, contudo, cabe ressaltar que a graça e as obras são sinônimas, pois a dalvação inclui necessariamente a santificação, e esta tem de incluir as obras santas.

II - Graça Barata x Graça cara
          “Não pode ser barato para nós aquilo que custou caro para Deus”, disse Dietrich Bonhoeffer antes de ser morto pelos nazistas. Em tempos difíceis como o nosso, em que a injustiça anda de mãos dadas com a impunidade sem precedente em nossa história, em que o céu é apresentado sem a existência da realidade do inferno, este tema se faz urgente, e muito necessária a sua reflexão! Leia as palavras de Bonhoeffer:
          “A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina comunitária, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.
A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o ser humano sai e vende com alegria tudo quanto tem; a pérola preciosa, para cuja aquisição o comerciante se desfaz de todos os seus bens; o senhorio régio de Cristo, por amor do qual o ser humano arranca o olho que o faz tropeçar; o chamado de Jesus Cristo, pelo qual o discípulo larga suas redes e o segue.
A graça preciosa é o Evangelho que se deve procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater. Essa graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao ser humano, e é graça por, assim, lhe dar a vida; é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. Essa graça é sobretudo preciosa por ter sido preciosa para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho – “vocês foram comprados por preço” – e porque não pode ser barato para nós aquilo que custou caro para Deus. A graça é preciosa sobretudo porque Deus não achou que seu Filho fosse preço demasiado caro para pagar pela nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus.” Dietrich Bonhoeffer (teólogo e pastor martirizado aos 39 anos pelos Nazistas.)

III - SOMENTE PELA GRAÇA O SER HUMANO PODE SER SALVO

O apóstolo Paulo foi o principal instrumento humano para transmitir o pleno significado da graça em Cristo. Não é de admirar que mais tarde ele viesse a ser conhecido como “o apóstolo da graça”. Com maestria, ele nos fala sobre a graça de Deus na epístola aos Romanos de forma abundante (Rm 1.5,7; 3.24; 4.4,16; 5.2; 5.15,17,18; 5.20; 5.21; 11.6). No NT, a palavra graça no grego é “charis”, que indica “graciosidade, favor”.

3.1 A graça é um ato soberano (Rm 1.7; 5.15; Tt 2.11). Nos referidos textos, Paulo nos diz que a graça procede soberanamente de Deus. Isto porque o favor lhe pertence e vem dEle, como sua fonte originária (I Co 15.10; I Pe 5.10). Segundo a Bíblia Deus manifestou a sua graça em toda a sua plenitude na Pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo (II Co 8.9; 13.13; Gl 1.6; 6.18; Ef 2.7; Fp 4.23; Ap 22.21). “A expressão 'manifestar' no original se relaciona ao substantivo 'epifania', ou seja, 'aparecimento' ou 'manifestação' (por exemplo, do sol ao amanhecer). A graça de Deus surgiu repentinamente sobre os que estavam nas trevas e na sombra da morte (Ml 4.2; Lc 1.79; At 27.20; Tt 3.4)” (HENDRIKSEN, 2001, p. 453).
3.2 A graça é imerecida (Rm 3.24; 11.6; Ef 2.5.7-8). A palavra traduzida como graça significa “favor imerecido”. Para falar sobre este favor imerecido ao pecador, Paulo usa a seguinte argumentação: “Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4.4,5). Nestes versículos, o apóstolo deixa claro que a salvação é concedida ao homem sem ele merecer. Não há nada que o homem faça para o tornar digno de ser salvo, pois a graça aniquila qualquer obra que visa receber a salvação por mérito “Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.9). Segundo Soares (p. 76) “A graça é o favor imerecido de Deus para com o pecador; é a bondade para quem apenas merece o castigo”.

3.3 A graça é suficiente (Rm 3.24; Ef 2.8). Paulo nos mostra que a Lei não é suficiente para salvar o homem. Até porque seu propósito é revelar o pecado e não extirpá-lo (Rm 7.7). Todavia, a graça de Cristo faz por nós aquilo que a Lei nunca poderia. Um dos pontos da Reforma Protestante é o “sola gratia” que diz que embora a fé seja o caminho dado por Deus para a salvação, não é ela quem nos salva, mas a graça “Porque pela graça sois salvos” (Ef 2.8-a). Lutero refutou o ensino católico romano da salvação pelas obras, alegando com base no que diz a Bíblia, que é pela graça, o favor imerecido de Deus, que ele nos concede a bênção da salvação (At 15.11; Rm 11.6).

3.4 A graça não faz acepção (Rm 1.16; 3.29; 9.24). Desde o início, a proposta divina sempre foi estender a bênção da salvação a todos os homens indiscriminadamente (Gn 12.3; Gl 3.8). É errôneo pensar embora “todos pecaram” (Rm 3.23), somente os eleitos serão salvos. Em Tito 2.11 Paulo diz “[...] a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”. A vinda do Messias mostra claramente que, Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; I Pe 1.17). Portanto, a graça de Deus que nos é oferecida mediante o evangelho, é derramada sobre todos em pé de igualdade, ou seja ela alcança tanto judeus como gentios (Gl 3.14; Ef 3.6).


Conclusão
Apesar da queda da raça humana, Deus, por sua maravilhosa graça decidiu soberanamente salvar o homem caído em pecado, por meio de Jesus Cristo. Esta graça alcança a todos os homens indistintamente e apesar de nos salvar independente das obras, nos impele a uma vida de santificação que é a evidência visível da salvação.


Bibliografia
Comentário Bíblico Beacon. CPAD
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. R.N. Champlin. Hagnos
Graça. Max Lucado. Thomas Nelson Brasil
Justiça e Graça. Natalino das Neves. CPAD
Maravilhosa Graça. José Gonçalves. CPAD
O poder e a mensagem do Evangelho. Paul Washer. Fiel
Um Verdadeiro Arrependimento. Manoel Flausino. Inteligência Editorial
Verdadeiro Evangelho. Paul Washer. Fiel


Pr. Manoel Flausino
Diretor de Ensino e Superintendente de Escola Dominica, escritor, formado em Teologia, Pedagogia e especialista em Psicopedagogia e Gestão de Pessoas, dirigente da Congregação Fonte das Águas MDV.

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20/04/2016

Lição 4 - Os Benefícios da Justificação

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.” Romanos 3:23,24

          Na lição de hoje, estudaremos a respeito da justificação. A Justificação é gratuita e essa é a primeira característica que devemos lembrar. Não custa nada ao justificado, mas custou tudo ao justificador. O homem não teria condição nenhuma de pagar qualquer tipo de fiança. A dívida, o crime, o delito do pecado é alto demais. Por isso a justificação é gratuita! Em Rm 1:18-3:20, Paulo defende a tese da necessidade absoluta da justificação pela fé, uma vez que se julgado pelas obras o homem está irremediavelmente perdido, pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.


I - A imputação da justiça:

          A justificação trata-se de um ato externo de Deus. Uma declaração legal sobre a pessoa justificada. Deus, pelos méritos de Cristo, imputa justiça sobre a vida de pecadores como nós. De forma gratuita e externa a justiça age totalmente da parte de Deus. A justiça de Cristo passa a ser a nossa justiça, e nossos pecados foram imputados a ele na cruz do calvário.
          A teologia reformada chama isso de “A Grande Troca”: “Pois também Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus. Ele foi morto no corpo, mas vivificado pelo Espírito.” 1 Pedro 3:18
          Sobre isso o puritano Horatius Bonar concluiu: “A justiça é atribuída ou imputada a todos os que creem; de forma que eles são tratados por Deus como se essa justiça fosse, nada verdade, deles… Ela não se torna nossa gradualmente ou em partes, ou em gotas; mas ela é toda transferida a nós imediatamente. Não significa que uma boa parte dela nos seja atribuída na proporção da força de nossa fé, ou do calor do nosso amor, ou do fervor de nossas orações; mas toda a justiça nos é passada por meio da imputação, a “qual nos fez agradáveis a si no Amado (Ef 1:6)”.


2. Os Benefícios da Justificação

Vida vertical: relacionamento com Deus

A) Paz com Deus – “temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (v.1)
Romanos 3:17, ao descrever a injustiça humana afirma que não conhecemos o caminho da Paz. Da mesma forma Romanos 5:10 no chama de inimigos de Deus antes da reconciliação. E esse é o primeiro benefício da justificação: Fomos reconciliados com Deus. De inimigos fomos transformados em amigos.
• Cristo no livrou da ira vindoura.
Não somos mais filhos da ira, mas de Deus. É por meio da justificação que Deus nos adota em sua família e temos paz com Ele.

B) Livre acesso a Graça de Deus – “por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça” (v.2)
Com a paz ganharmos um privilégio especial. Acesso direto ao Pai. Estamos em paz e reconciliado, podemos nos achegar como quem se achega a um pai, não a um inimigo.
• O véu do templo que separava Deus do povo se rasgou de alto a baixo (Marcos 15:38)
• O parede que separava judeu e gentios do templo e da mente foi derrubada por Cristo (Efésios 2:14)
Podemos dizer que temos livre acesso ai Pai. O livro de Hebreu diz que Cristo é nosso sumo sacerdote perfeito e eterno, dando base para a doutrina do sacerdócio real de todos os crentes. Contrariando mais uma vez o ensino católico. Além disso, não a mais separação de judeus e não judeus, todos somos um só povo de Deus. Temos livre acesso ao Pai, e temos não sozinhos, mas também como igreja, sem distinção de pessoas.

C) Firmeza na fé - “na qual estamos firmes” (v.2)
A justificação é um ato eterno. A justiça de Cristo imputada a nós é perfeita e eterna. Não existe “desjustificação”. Podemos estar firmes na justiça de Cristo. Nossos pecados já foram pagos nele e sua justiça já foi contada como nossa. Está consumado!

D) Esperança da glória – “e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (v.2)
No lugar da carência da glória em Romanos 3:23 agora temos esperança da glória! Paulo conecta a esperança com a firmeza. Nos gloriamos na esperança eterna de estarmos face a face com Deus um dia. Calvino comentando esse versículo faz uma defesa apologética em relação a doutrina dos sofistas, derrubando dois ensinamentos. O primeiro: que o crente deve esperar apenas por uma transformação moral. O segundo: que o crente deve viver num estado de incerteza sobre seu futuro

Aplicações para a vida vertical:
• A paz com Deus e seu amor lançam fora o medo. Podemos lançar nossa ansiedade nele. A Igreja tem paz em meio aos conflitos. (1Pe5:7)

Vida horizontal: relacionamento social

Tribulações frutíferas – “E não somente isso, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança, e a perseverança, experiência, e a experiência, esperança” (v.3-4)
O justificado sabe que todas as coisas cooperam para que ele seja mais parecido com Cristo (Rm 8:28). Ele confia em suas tribulações não como obstáculos, mas como degraus para sua glorificação. Por isso a provação para o crente produz perseverança, experiência e paciência.
• Perseverança: Sabemos que nossa salvação está sendo desenvolvida por Deus. Confiamos na sua justiça
• Experiência: Aprendemos e nos tornamos cristãos mais maduros. Não dando passos para trás, pois confiamos na justiça de Cristo.
• Paciência: Sabemos que Deus está no controle e que somos justificados, isso destrói a angústia e no mantém paciente esperando a manifestação certa da glória.


3. As bases da nossa segurança

Nossa certeza vem do amor de Deus (o amor de Deus para o crente, não o do crente para Deus) derramado em nossos corações e pelo penhor do Espírito Santo, que testifica ao nosso espírito que realmente somos justificados e filhos de Deus. Não usamos nossas boas obras para termos certeza.
O amor de Deus: Esse é combustível de tudo isso. O amor de Deus o moveu a entregar seu filho unigênito para salvar um povo pra si. É amor de Deus por nós que mais importa, não o nosso por ele. (Romanos 5:6-8)
          É o amor divino que nos mantém em segurança, não o humano. Ele nos amou primeiro. Devemos ter a certeza que a justificação e seus benefícios são frutos do constante, perfeito e eterno amor de Deus por nós, não do nosso por ele. Não estamos em posição de pedir benefícios em troca do nosso amor.
Espírito Santo: O Espírito é o selo da nossa justificação e segurança. Ele é o nosso penhor (2 Co 1:22). O Espírito Santo testifica ao nosso espírito que somos realmente amados, justificados e adotados por Deus (Rm 8:16). Ele nos dá a segurança que estamos em Cristo.

Conclusão

          Entregue sua a vida para aquele que tem amor suficiente para justificar pecadores através da morte do seu próprio filho. O convite do evangelho é para deixarmos a inimizade e termos paz com Deus, termos livre acesso a ele, estarmos firmes, esperarmos pela glória e para vencer o mundo através de Cristo e tudo para a glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo!

“E não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.” Romanos 5:11


Bibliografia
Comentário Bíblico Beacon. CPAD
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. R.N. Champlin. Hagnos
Graça. Max Lucado. Thomas Nelson Brasil
Justiça e Graça. Natalino das Neves. CPAD
Maravilhosa Graça. José Gonçalves. CPAD
O poder e a mensagem do Evangelho. Paul Washer. Fiel
Um Verdadeiro Arrependimento. Manoel Flausino. Inteligência Editorial
Verdadeiro Evangelho. Paul Washer. Fiel


Pr. Manoel Flausino
Diretor de Ensino e Superintendente de Escola Dominica, escritor, formado em Teologia, Pedagogia e especialista em Psicopedagogia e Gestão de Pessoas, dirigente da Congregação Fonte das Águas MDV.

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